quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008


( Apesar de não saber como fazer isso, adoro desenhar. )
Conto a história desse desenho: Hoje. A caminho do Boulevard. Tempo semi-chuvoso. Guarda-chuva de bolinhas da vovó. Apertei o botão para abri-lo. Ele voou de minhas mãos (o impulso me assustou). "Isso é uma arma". Odeio desperdício de idéias. Flávia desenhando em casa. Ignorem-me. FIM.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Tributo a Aroldo II



No quarto quente e silencioso ela usava sua tesoura escolar preferida. Pacientemente ia cortando cada corda: se despedia da mi, dava outro adeus para lá e para si. E assim, de pouco em pouco, seu violão ia ficando nu. Ao ver aquele braço liso e empoeirado, ela sentiu que era hora de recomeçar. Depois de limpá-lo, abraçou-o com carinho e falou seu nome em um curto suspiro. Guardou-o com cuidado na capa e o carregou pela rua, como se estivesse de mãos dadas com um dos seus grandes amores.
Chegou ao seu destino. Ali ela ia gastar uma boa parte de suas reservas para melhorar seu amigo. Mas ela não sabia que era ali que ela ia consertar seu dia. “Um encordoamento completo de nylon, por favor – o melhor que você tiver”. Olhou para seu violão e deu um sorriso: poderia amá-lo a tarde toda depois que saísse dali. E foi o que aconteceu.
Agora afinado e com cordas novinhas, ela podia tocá-lo com paixão, relembrar-se das boas músicas, das suas próprias versões acústicas, do quanto era bom poder fazer cada acorde e como era delicioso perder horas e horas ouvindo o resultado dessa união. As melodias saíam seguidas umas das outras. Chega de sofrimento. Ela e seu violão bastam.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

24 de janeiro de 2008

10 Contados

Existem eventos que me deixam boquiaberta. Estou vendo um vídeo aqui no youtube que me fez perder o fôlego. Um dueto do Paulinho Moska com uma cantora paulista chamada Céu. Foi no programa Zoombido que vi essa cena pela primeira vez, no canal Brasil. Quem me dera se na tv aberta existissem programas de música tão bons como esse. Odeio ligar a televisão e ver que nada presta. Pelo menos não nos horários normais ao longo do dia. E é triste saber que isso não vai mudar, porque nós, como sociedade, nos conformamos com pouco.
Enfim, já ia perdendo o rumo do texto. Acabei de apagar um parágrafo fresquinho sobre meu inconformismo com a tv nacional. Minhas distrações me condenam. Voltando ao assunto inicial, filmes como V de Vingança me deixam boquiaberta. Sempre que assisto coisas que me tocam, fico totalmente avoada, tentando digerir tudo o que acabei de ver e ouvir. Fatos como esses precisam estar presentes em nossa vida. Que graça teria se não sentíssemos uma quase dor de alegria ao comer um doce perfeito? (no meu caso, ninguém barra um petit gateau) Ou quando vemos uma borboleta linda pousada uma folha verdinha no caminho da faculdade? Ou quando recebemos uma declaração de amo super inesperada? Ou quando sentimos um perfume inexplicavelmente gostoso?
Tudo isso me traz alegria e, pode ser até um pouco exagerado, uma vontade a mais de viver. É porque a vida também é feita dessas pequenas e singelas cenas.
E pra quem quer ver a Céu com o Paulinho Moska, tá aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=YCD5MmU0qf4&feature=related

Em busca de...

A inspiração sempre foi um problema para qualquer artista. Sejam eles escritores, escultores, pintores, roteiristas, malabaristas, cientistas e sei lá mais quem (e não sei como ‘malabaristas’ entra nessa definição, mas deixo isso pra sua imaginação). E mesmo eu, sendo artista coisa nenhuma, tenho sido atacada por esse mal: a ausência dela.
Muitas coisas me inspiram, e na maioria das vezes estou sem um papel e caneta para escrever ou então estou ocupada demais para isso. Quando finalmente posso colocar registrar meus pensamentos, já esqueci o que me inspirou ou de quais palavras eu usei naquele momento na minha mente. Mas isso que me assola a cabeça me leva a pensar mais sobre a inspiração. Será que ela é tão espontânea como parece? A verdade é que a qualquer momento que eu sente, por exemplo, posso escrever qualquer besteira sobre qualquer coisa. E eu acredito que seja assim com a maioria das pessoas que criam alguma arte.
Ok. Mas também acredito que essas criações serão medíocres, nada de uma masterpiece ou algo digno de um oscar. Eu gosto mesmo de escrever quando algo me pulsa o coração e eu sinto que eu preciso do microsoft word naquela hora. Aí vou correndo pro computador e as palavras vão saltando tão rápido que mal posso acompanhar digitando. Aí leio aquilo tudo e vejo que pode não ser uma obra prima, mas pelo menos foi fruto de algo totalmente impulsivo. Nada forçado (como agora, por exemplo). O negócio é que se eu escrever somente quando a inspiração der um ‘alô’ simpático, esse blog ficará a moscas. Então prefiro me forçar a escrever. Não é um sacrifício e acho que ‘forçar’ não é a palavra certa. É como estudar, entende? Eu preciso estudar, mas tem hora que não dá a mínima vontade. Mas dane-se a minha vontade, eu preciso. E eu preciso escrever também. Senão passo a me sentir uma pessoa sem voz, sem nada. Então tá aqui. Mais uma insignificante criação, só para isso aqui ficar atualizado.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Sobre amizade

É, estou já há um tempo sem escrever...transição de computadores aqui em casa e arrumação de malas para viagem! Mas depois de uma importante intimação, não pude deixar de vir aqui escrever mais uma vez.
Confesso que depois do último fim de semana morri de vontade de escrever sobre amizade por aqui. Eu me encontrei com meus verdadeiros amigos, aqueles que são lembrados por mim dentro de um colégio fora do normal do ensino médio e um ambiente de aprendizado para toda a vida. Foi com eles que aprendi a viver. Esse texto é dedicado a eles (mesmo que eles não venham aqui ler isso).

Ela sabia que não teria mais amigos como aqueles. Seria difícil que toda aquela cumplicidade fosse construída novamente e de forma tão sólida quanto aquela. Era o último dia de aula e as lágrimas já queriam fazer seu caminho antes mesmo da despedida final. Ela não deixou. Segurou até o último minuto. Lá foram eles todos para aquele complexo gigantesco de lojas. Almoçaram juntos, riram juntos, se olharam como se fosse o último dia de vida de cada um. Trocavam abraços, carinhos e fotos. Eles sentiam no ar um aroma doce de um sentimento sem igual. Um sentimento que englobava tudo o que queriam dizer um para outro. Um sentimento que representava perfeitamente a amizade: o amor. Nada do amor sensual ou amor banal que vemos por aí. Era o amor em sua perfeita forma. Depois de uma pizza compartilhada por todos e refrigerante à vontade, eles foram sentar naquelas cadeiras confortáveis de cinema. Tudo tinha mais graça, cada piada declamada seria a última. Ao mesmo tempo, tudo era melancólico. Era o último dia em que podiam ficar juntos. Então aproveitaram cada segundo de cada minuto. Cada mão dada, cada olhar. Cada pensamento era claro: ‘Sentirei falta disso’. Estava estampado no rosto de cada amigo ali. O filme que passou aquele dia marcou o coração deles. Mas principalmente o coração dela. Para ela, até hoje é o melhor filme de todos, porque selou a amizade deles naquela sessão vazia de cinema. Que filme perfeito! Um filme que ela veria dez vezes mais, só para relembrar aquele triste dia.
O dia foi acabando e todos sabiam o que isso significava: nada seria como antes. Ali acabava a bagunça em sala de aula. Os segredos compartilhados por micro papéis. A amizade sincera com os professores. A torcida de cada um pelo sucesso um do outro. Os ‘bom dia’ freqüentes e simpáticos. As notas baixas seguidas das ajudas dos amigos. Os namoros impensados e pensados. A alegria de pegar um ônibus para ir pra aquele lugar. Era ali que acabava. Descendo a escada em direção a saída, ela viu uma de suas amigas chorar. E foi ali que ela caiu na real. Nada seria como antes. Chorou também. Um choro triste de lamentação. Seu coração doía muito, quase que não podia suportar. Foi abraçada e consolada pelos próprios inconsoláveis. Abraços demorados e dolorosos. Acabou ali. Naquele ponto de ônibus.
A caminho de casa, ela implorou a Deus que não acabasse ali. Que a amizade fosse a mesma por muito tempo e que o contato não se perdesse. A verdade é que somente as amizades mais consolidadas resistiriam ao tempo e à distância. Os outros amigos, não menos importantes, continuariam em sua memória e coração.
Três anos mais tarde tudo era diferente. Ela ainda via os amigos mais próximos daquela época e os amava. Amava cada momento junto e cada sorriso trocado. Amava estar com eles e falar bobeira. E rir muito. E saber que era ótimo ter aquele refúgio. Mas ela sabia que não teria outros amigos como aqueles. Não importa onde fosse, a não ser que ela revivesse aqueles três anos novamente, ela não viveria uma amizade como aquela. Por isso mesmo fazia questão de demonstrar todo seu amor aos seus amados. Aquela amizade é para sempre. Não é clichê nem jargão. É a realidade. E ela sabe disso. E se você viveu algo parecido, também sabe disso. É para sempre. Sempre.