sábado, 21 de junho de 2008

Tem um tempinho que recebi esse selo da senhorita Darshany, mas sempre deixava para postar sobre isso depois. Hoje decidi acabar com a procrastinação. Primeiramente, agradeço a indicação. É sempre uma honra, ainda mais que o elogio veio de uma das minhas escritoras/blogueiras favoritas. Acho que minha tarefa era passar esse selo para mais 7 blogs, mas me darei ao luxo de indicar somente um. Porque se eu indicasse sete, aí teria indicado todos esses aí do lado da página, que são os que adoro ler e que acesso constantemente. Como não tenho uma grande lista de blogs que acompanho, ainda mais pelo fato de que tenho buscado me desprender cada vez mais da internet, vou indicar somente um mesmo:
Não há dúvida de que todos da minha lista me acrescentam muito a cada leitura, mas por hoje os méritos vão para o Filipe. Ele tem um estilo de escrita que agrada muito. Confiram lá. Vocês entenderão a indicação.
Grande abraço,
Flá.



quarta-feira, 18 de junho de 2008

Universo ao redor dela

Era uma terça-feira na melhor cidade do mundo. Dia frio, com nuvens escuras, pouca cor, sem graça. Ela estava mergulhada em seus estudos para escapar de seus próprios pensamentos. O que tinha acontecido exatamente a uma semana aprisionou sua mente durante todos esses sete dias. Era hora de seguir em frente. Deixar os sentimentos passados para trás de vez. Mas ignorando todos avisos de alerta, entre conceitos matemáticos e probabilísticos, ela colocou para tocar aquela voz. Começo de um samba triste. Vamos lá: contas, somas e fórmulas. Um dedilhado... "Não vá pensando que determinou sobre o que só o amor pode saber, só porque disse que não me quer não quer dizer que não vai querer" Voz doce da senhorita Monte. Lapiseira descansou. Ela parou de tentar se distrair e ouviu aquela letra que já conhecia, mas que pela primeira vez fazia sentido de verdade. Ficou ali paralisada, só conseguia ouvir aquela letra:

"Só porque disse que de mim não pode gostar
Não quer dizer que não tenha o que considerar
Pensando bem pode até mesmo chegar a se arrepender
E pode ser então que seja tarde demais...vai saber..."


Queria ela o otimismo da Marisa. Pensar que ele poderia se arrepender de rejeitá-la era pensamento de dia de muito sol e mar. Mas o dia era frio e escuro, lembra? Deixou os estudos de vez e se foi. Como era comum de acontecer, se deixou levar pelos pensamentos mais negativos possíveis. Aqueles que tomam conta de sua auto-estima, que destroem tudo o que você tem de bom e doce.

A mesma lua que viu aquela cena da semana passada estava logo ali na janela, brilhando sobre a menina triste. Esta não se permitia ter esperança, não se permitia ser feliz. Lágrimas no travesseiro e gritos de desespero tomavam conta do quarto, que ia ficando cada vez mais escuro. Ela queria alguma salvação, mas não encontrava nada fazia tempo. Hoje não tem reviravoltas, não tem otimismo. Ela se deixou levar por essa onda doentia até a lua se despedisse e o sol chegasse. Nasceu um novo dia mas não nasceu um sentimento mais nobre. Se arrastou pelo dia como pôde e se cansou. Pegou um livro pra ler mas não conseguiu ler uma palavra. Ligou pra seu melhor amigo e o telefone estava ocupado. Esse era um daqueles dias para ser apagado rapidamente da memória.

Depois daquele dia ela decidiu nunca mais se abrir tanto, nem ser tão vulnerável com ninguém. Decidiu que ia ser mais uma daquelas pessoas que um dia foram feridas e resolveram não se apegar a nada, nem a um retrato, nem a um cheiro, nem a ninguém. Mas foi uma decisão tão estúpida para o tipo de pessoa que ela era, que essa impessoalidade toda não durou muito.

Depois de algum tempo, ela já estava amando a vida novamente, sem medo, sem barreiras. Na esperança de ter alguém que realmente a merecesse e a amasse integralmente. Ela esperaria, não importa quanto tempo passasse.

domingo, 25 de maio de 2008

Love is watching someone die


Era um outono frio e triste. De olhos semi-fechados ela correu, num tom desesperado, até o corpo pálido de seu amigo. Ajoelhou-se e apoiou suas mãos naquele chão cinzento e sujo. Olhou a estátua mórbida que tinha virado o menino alegre que gostava de correr e jogar futebol na rua perto de sua casa. Quantas vezes eles não trocaram palavras de amor disfarçadas de ofensas e abraços calorosos mascarados de brigas sangrentas? Ele a amava. E apesar de xingá-la como num ritual diário, ele admitia sua admiração ao pedir por seus beijos sempre quando fazia algum favor a ela. E ela fazia caretas de nojo em resposta. "Nunca!" Ela dizia numa certeza sem fim. A verdade é que eles eram muito crianças para algo mais do que aventuras infantis: encontros rotineiros para roubarem frutas de uma fazenda afastada do bairro. E o romantismo era comer aquelas frutas mais do que podiam, até que uma dor de barriga os assaltasse como um ladrão oportunista. Mas era melhor do que sarrafos ao chegar em casa com comida furtada. Seus pais eram pobres, mas não ladrões.

Agora ele havia partido. E ela estava ali. Seus olhos correram sem controle pelo corpo dele, desejando que a vida se instalasse ali novamente. Pegou sua mão e chamou por seu nome. Silêncio. A morte chegou melancólica e levou a alma do garoto. Sua franja loura, que pendia para o lado, foi acertada pela menina, que chorava sem esperança. Seus lábios, molhados de lágrimas negras, se encontraram com os lábios secos e frios dele. O beijo selou uma real amizade e marcou uma triste despedida. Como ela queria um milagre... Fechou os olhos e esperou um instante. Quem sabe, quando ela os abrisse novamente, lá estaria aquele sorriso gostoso.

Mas, como havia de ser, nada aconteceu. Logo uma multidão se aproximou e ela foi afastada, se deixando levar. Não lutou contra se afastar daquela cena. Preferiu arrastar seus pés até em casa. Abraçou seu pai, o único que realmente a entendia, e deitou em sua cama. Chorou até que adormecesse de cansaço e sonhou. Com ele.


Seu melhor amigo teve o privilégio de estar nos sonhos dela, coisa que sempre desejou mas nunca conseguiu em vida. Agora ele estava em suas mente, rindo, falando besteira, jogando futebol no outro time e pedindo um beijo (insistentemente, como sempre fazia). Um sonho-despedida.


Na manhã seguinte ela acordou com a cabeça doendo e demorou uns minutos até que se lembrasse do dia anterior. "Saukerl". Era como ela sempre o chamava: um xingamento constante. Foi o que pintou mais tarde no porão junto com as outras palavras difíceis de serem pronunciadas. Ali ficou olhando aquela palavra por horas até que a fome falasse mais alto.

"Adeus, amigo."


Apagou a luz do porão como se o apagasse de sua memória. Mas aquele filete de luz permaneceu por anos e anos. Ainda bem. Um primeiro amor não deve ser esquecido tão instantaneamente.
(Inspirado no livro "A menina que roubava livros" de Marcus Zusak. Título retirado de um trecho da música 'What Sarah said' do Death Cab for Cutie).

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Por que com travestis?

Só uma notícia-bomba para desviar a imprensa do caso Isabella Nardoni, e essa bomba estourou na semana passada, quando se soube que o jogador-fenômeno Ronaldo estava num motel do Rio de Janeiro com três travestis. O caso alcançou tal notoriedade que cogitou-se a perda, pelo jogador, de importantes patrocínios.
Não sei se Ronaldo contratou os travestis achando que eram prostitutas. Também não sei o que aconteceu realmente naquele quarto. O que sei é que, como sempre, o julgamento humano já foi feito e o jogador terá para sempre sua imagem arranhada.
Mas o que leva alguém a procurar um travesti?
Homens que se travestem de mulher não desejam mudar de sexo, e homens que procuram travestis sabem bem o que estão procurando. Na maioria são casados e estáveis financeiramente. Não querem ser taxados de homossexuais ou bissexuais, por isso buscam na aparência feminina dos travestis uma desculpa para a realização de suas fantasias de sodomia. Que ninguém se engane: em boa parte dos programas, o travesti é o ativo. Aliás, em qualquer anúncio tratam de exaltar o tamanho do “dote”, que é o que interessa aos clientes. Se estes quisessem uma mulher, buscariam prostitutas.
Mas por que os maridos têm deixado suas esposas para buscarem, lá fora, o prazer que deveria haver dentro do casamento?
Seja com travestis, ou prostitutas, ou amantes, ou no onanismo, há uma infinidade de casais infelizes, que buscam, fora, solução para seus problemas. O próprio Ronaldo estava noivo, mas mesmo assim foi atrás de prostitutas/travestis, e não uma, mas logo três. Muitos que estão nas igrejas agem da mesma forma, seduzindo e sendo seduzidos por outros da mesma igreja, a quem deveriam tratar como “irmãos”, pois assim é que Jesus nos vê. Outros, saem da igreja e vão buscar fortes emoções na internet ou em encontros pagos. Embora pareça, o sexo desenfreado não é uma panacéia, um remédio para tudo!
Muitos temos visto o sexo desregrado como refúgio, alívio, solução. Que quem está lá fora no mundo veja dessa forma é compreensível, pois estão como que mortos e tudo é ilusão. Mas para quem um dia aceitou ao Deus Vivo, a Jesus Cristo, é muito triste ainda se deixar enganar. O orgasmo pode, por alguns minutos, inebriar a mente, mas o efeito passa muito depressa e deixa, atrás de si, um sentimento de vazio ainda maior. Deus criou o homem e uma ajudadora para ele, mas o Pai da Mentira quer mostrar que mulher, família são coisas do passado: o bom e moderno é amar meninos e meninas, é sentir todas as formas de prazer com o maior número possível de pessoas, e ainda tem gente que acredita e que acha que “amar ao próximo” é ter que transar com ele.
Amar ao próximo é respeitá-lo, é honrá-lo, é ajudá-lo, não é seduzi-lo, comprá-lo, humilhá-lo. Quando vemos travestis dando “piti” muitas vezes achamos até engraçado, pois não conseguimos ver, através daquele rosto cheio de enxertos, daquele corpo deformado muitas vezes com silicone líquido, substância que pode ser muito prejudicial e causar muita dor e sofrimento, um ser humano. Mas é verdade, por detrás daquela “traveca” que pediu 50 mil para não difamar o Ronaldo, existe uma pessoa que foi criada à imagem e semelhança de Deus, mas que o Pai da Mentira convenceu de que não era nada, de que não valia nada, de repente apenas alguns reais por programa. Que o Príncipe desse Mundo convenceu de que não tinha nada, nem caráter, nem vergonha, e que por isso poderia fazer escândalos na tevê, inclusive quebrando equipamentos de uma emissora. E o engano é tão bem-feito que nos convence a todos, que ou estamos lhe jogando pedras, ou as jogando no jogador, aquele “safado sem-vergonha”. Mas será que não temos, também, coisas ocultas tão horripilantes que, se viessem à tona, escandalizariam não só à Igreja, mas a todo o mundo?
Não é fácil a vida de jogador de futebol. Na maioria vindos da pobreza, de uma hora para outra se vêem cercados de dinheiro, mulheres e fama. É uma mudança de enlouquecer qualquer um, a ponto de cometerem grandes bobagens.
Não é fácil a vida de um travesti. Desde cedo humilhados por sua homossexualidade, muitas vezes rejeitados por suas famílias, vão para as ruas onde, para sobreviver, são obrigados a deformar seus corpos e vendê-los a qualquer preço. Por serem alvos de playboyzinhos metidos a besta, de clientes violentos e até da polícia, aprendem a manejar o estilete e sabe-se lá que armas brancas, afinal melhor ferir ele do que eu. A vida nas ruas os torna animais em busca de sobrevivência.
Meu noivo trabalhou durante alguns anos com evangelização de prostitutas e travestis, no centro de São Paulo. Ele viu travestis serem recuperados, aceitarem a Cristo e mudarem de vida, mas não é fácil, pois são pessoas muito, muito feridas. Infelizmente ainda passo na Av. Indianópolis à noite e vejo os carrões importados de honrosos pais de família parados, combinando preço com as prostitutas e travestis do local, talvez porque às igrejas interessa mais converter os crentes de outras denominações para a sua, do que resgatar as vidas que mais estão em perigo – as que estão dentro e fora dos carrões.
Retirado do site SexxxChurch: http://www.sexxxchurch.com (investirei mais tempo para ler seus artigos...fico feliz em ver a comunidade cristã abrindo a mente, sem deixar o evangelho de lado.)