quinta-feira, 26 de março de 2009

Trocando Livros


Livros. Normalmente nossa casa é repleta deles: usados ou novinhos, ganhados ou comprados, que já perderam a graça ou que sempre nos enchem de interesse.
Pensando nos livros que estão parados, empoeirados e abandonados, aqui vai uma dica de site: http://trocandolivros.com

Funciona assim (como bem explicado no site):
1. Você cria uma lista dos seus livros que você quer trocar;
2. Quando outro usuário solicitar algum livro da sua lista, você envia pelo correio;
3. Você confirma o envio e ganha um crédito para solicitar 1 livro.

Simples assim. Recomendo. É um jeito simples e barato de ter mais livros bons e se livrar dos indesejáveis.
Eu estou com minha listinha cadastrada no site e já me solicitaram 3 livros. Eu os enviei recentemente e agora posso pedir qualquer livro que estiver disponível (já pedi "O Diabo veste Prada" e ele já chegou!).

Então aí está a dica!
Um abraço,
Flá.

domingo, 8 de março de 2009

LittleMess



Ela era desorganizada. Seja com papéis ou sentimentos, tudo ficava sempre embolado e sem lugar. Talvez fosse de sua natureza ver tudo virando de cabeça para baixo para simplesmente se cansar e tomar uma atitude no limite do caos. Nessa linha tênue, normalmente ela organizava perfeitamente tudo. Jogava fora as coisas antigas, as águas passadas, limpava os cantos sujos, guardava as roupas fora do lugar, colocava os pensamentos em ordem. Mas era um minuto de satisfação para depois bagunçar tudo de novo, aos poucos e lentamente.


Da confusão de seu quarto, milhões de bilhetes apagados pelo tempo no quadro de recados, certificados de cursos espalhados pelas gavetas, chaves em cima da mesa para se perderem fácil, violão desafinado encostado na parede com notas e acordes soltos no ar. Ventilador ligado e cobertor revirado na cama, cd arranhado no rádio. Celular perdido no meio na confusão, toalha molhada pendurada na porta do armário e livros empoeirados na estante, desorganizados por assunto e desordem alfabética. Apesar de tudo, uma compensação: era uma pessoa criativa. E sustentada pelas reportagens que afirmam que pessoas criativas são estimuladas pela bagunça, ela bagunçava tudo com gosto. E era criativa com força.


E da confusão de sua mente, ela não sabia o que sentia, por quem sentia, quando sentia e o porquê de sentir. Ela sabia que sentia, somente. Aquilo incomodava os outros: essa confusão parecia simplesmente uma mentira ou uma fuga da realidade, só para não se aproximar de ninguém. Mas ela sabia que a verdade passava distante disso. Seu coração já tinha se curado de muita coisa e ela tinha certeza que poderia se entregar muito bem para alguém, sim senhor. O problema é que ela não sabia quem era essa pessoa. Entre algumas opções, ela pesava os prós e contras, mas nada de conclusão. Talvez por isso aquele quê de solidão que a rondava, nos piores pesadelos e nas conversas chatas de família.


Nos dias raros de arrumação geral, ela chegava aonde queria. Recebia visitas em casa e reconhecia quem era seu verdadeiro amor. Não produzia nada criativo, mas o amor e os amigos bastavam para ela e para os outros. Daí que vinha a promessa a si mesma que ia fazer aquilo mais vezes ao ano, mas eram meras palavras.


Talvez, no final das contas, ela gostasse mesmo da bagunça e da solidão. Era mais fácil.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Dona Cecília

"É inútil o meu esforço de conservar-me,
todos os dias sou meu completo desmoronamento
e assisto à decadência de tudo
nestes espelhos sem reprodução."

É, dona Cecília, meu eu pessimista te admira.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Dan in real life*


Feriado de carnaval. Enquanto os foliões mergulhavam em suas perdições, eu me retirava no campo, rodeada de floresta e paz, com as melhores companhias. Uma rede, uma piscina com chuva rápida, uma trilha, estrelas...e forró! Sim, esse ritmo brasileiríssimo, cheio de encantos. Ouvindo as letras de amor, meus pensamentos foram longe, para perto de você. Nunca tinha desejado tanto que você estivesse por perto, para me levar para a pista de dança(vulgo beira da piscina) e dançarmos até o anoitecer. Meu pensamento foi interrompido por um convite de dança, feito por outra pessoa. Aceitei. Preferia ter ficado distraída, mas foram inevitáveis minhas comparações: ele não tinha sua postura, seu jeito, seu cheiro. Não tinha a altura certa para mim e não me conduzia com a firmeza de seus braços. Mas me deixei levar pela diversão e aos poucos chegava mais gente para dividir o espaço conosco. Grandes amigos. Até trocávamos de par algumas vezes e eu torcia para alguém dançar parecido com você, na tentativa de matar a saudade. Mas não teve jeito. As músicas que eu acompanhava cantando só servia para os seus ouvidos, mas outra pessoa as ouvia naquele momento. Lembra quando eu me declarava explicitamente por meio delas sem que você desconfiasse de nada? Já dizia aquele filme... “If you want to be completely honest, sing.” Sentia sua falta. O jeito como você puxava meu corpo para perto do seu e como você me elogiava, falando baixinho, rosto colado.

Já doíam meus pés quando fui deitar na rede. Meu rosto não sabia esconder o que se passava no meu coração, e uma amiga até brincou comigo sobre minha expressão. Quando todos tinham certeza que meus pensamentos pertenciam a quem estava ali bem próximo, na realidade meu pulsar era para quem estava a quilômetros de distância: o menino do coração quebrado. Como eu gostaria de reconstruir aquele coração. Talvez a gente podia se consertar, remendar e começar tudo de novo. Acabei de perceber isso, sabia? Talvez tenha sido somente o forró, talvez o excesso de bebida. Talvez a solidão misturada com a paisagem em cores deslumbrantes. Ou talvez seja porque eu gosto de quem eu me torno quando estamos juntos e é essa pessoa que eu quero ser pelo resto da minha vida.

* O título do texto se refere ao filme cuja frase foi citada entre as minhas palavras. "Se você quer ser completamente honesto, cante". O nome do filme, em português, "Eu, meu irmão e nossa namorada". Odeio traduções não-literais...não acha que reduz o filme a pouca coisa?