domingo, 6 de abril de 2008

Pane no sistema

Ontem foi um dia interessante.

Depois de 5 anos esperando para conferir um show da Pitty, lá fui eu ontem. Primeiramente gostaria de esclarecer que, apesar de eu realmente gostar das músicas dela - são inteligentes e contagiantes, minha grande vontade de ir era para compensar um fato ocorrido lá no 1º ano do CEFETES. Foi quando minha mãe me barrou de ir a Festa do Estudante, não lembro o porquê, mas deve ter sido algo como: "Você é muito nova, é perigoso, etc".

Primeira fase: Recrutamento de amigos para ir comigo. Depois de muita gente recusando, já estava achando que não deveria ir mais. Que talvez não era isso o que Deus queria e um monte de coisa me passou pela cabeça. Até que, num dia muito iluminado, minha amiga Raissa, da UFES, disse que ia falar com a mãe dela. Fiquei na esperança, mas com um pé atrás. Depois de algumas horas, a confirmação. Oba! Fiquei feliz porque sei que ela foi muito mais por mim do que pela Pitty (acho que foi uma bela demonstração de amizade).

Segunda fase: A fila. Então, cheguei lá e logo encontrei uma amiga que queria ver faz tempo! A Evelin...a conheci na viagem que fizemos pro show do Hillsong em BH. Conversa vai, conversa vem, só ouço um grito: 'Flavinhaaa'. Só pude responder: 'THIEEEEELMANN!!' Nossa, fiquei muito feliz de vê-la. "Só assim pra gente se ver, né?" :]

Terceira fase: Entrando no show. Entramos lá no ginásio depois de uma senhorita me revistar (uma experiência nova e traumatizante) e esperamos mil anos pro show começar. Emos, emos brigando, emos de mãos dadas, emos caídos no chão, emos bêbados, emos brigando de rodar, emos se beijando, emos. Algumas famílias, muita gente novinha, um punk, três playboys e quatro patricinhas.

Quarta fase: O show. Curto, mas muito empolgante. Valeu só por Admirável Chip Novo, Deja Vu e Equalize. Senti falta de Ignorin' u e De Você. Mas fiquei pensando...se eu tivesse deixado de ir, ficaria reclamando comigo mesma. Foi bom ter ido, pulei bastante, balancei a cabeça, ri com um cara que ficava puxando assunto com Raissa e comigo, e me diverti. O show acabou às 21h45min...cedo pra caramba, né?

Cheguei em casa com uma dorzinha de cabeça, resultada do som altíssimo do pré-show e das fumaças de cigarro. Antes de durmi tive que fazer uma comparação com outros shows que já fui. Primeiro, Marisa Monte. Acho que estava no mesmo nível. Só que é totalmente diferente, né..desde o público até a estrutura do show. Acho que gostei mais do da Pitty (prefiro rock...).
Depois, Hillsong United. Ah, esse não tem comparação. No Hillsong eu fui por um motivo maior...não era bem pela banda, mas pelo que ela representava. Fui pra cantar para Deus, e não por nada. Você pode cantar por uma ideologia, por alguém que não está do seu lado, mas cantar para alguém que está te ouvindo e respondendo, não tem comparação. Sentir Deus não tem comparação.

Apesar de muita gente [da igreja, principalmente] ter olhado torto por eu ter ido no show da Pitty, é mais do que claro que isso não representa uma busca por outra coisa a não ser Deus, e nem uma reconciliação com ideais que deixei de acreditar faz tempo. Não têm motivos para eu me sentir mal por ter ido e, saibam, quando sentir vontade, irei em outros. Isso se chama liberdade, por saber que amo e acredito em algo que é muito maior que meros shows terrenos.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Bem-vindos!

Tá aí meu novo blog...em substituição ao meu myspace [que em breve será deletado!]. Fiquei de 13h até 23h do dia de ontem tentando achar um endereço decente para ele. Dicionário em mãos e milhões de tentativas sem sucesso algum, resultaram ao final de tudo, no minhas melodias. É somente uma referência ao fato de eu tocar violão e gostar bastante disso. Além disso, para mim, tocar é como escrever. Traz a mesma sensação de prazer e contribui significamente para melhorar meu dia. Escrever é como compor uma música, e se formos pensar, existe profunda relação entre as duas coisas.
Agora já acho o endereço breguinha, mas ficará ele mesmo. Até porque além de não dar para mudar, não tou afim de gastar 10h novamente nisso. Ainda tenho muito trabalho a fazer nele, trocar o layout, procurar boas figuras e etc, então vcs ainda verão muita transformação por aqui (paciência!).
Como dá pra ver, os antigos posts foram transferidos para cá e foi muito bom relembrar de alguns deles. Foi até engraçado...! Enquanto não escrevo nada novo, peço que esperem com paciência. Ainda postarei bastante por aqui. (Fazer este blog foi até um modo de me injetar algum ânimo de escrever novamente).

Um beijo para todos! ;*

quinta-feira, 27 de março de 2008

Faithful - Brooke Fraser

Ontem fui tentar dormir sem sono, ouvindo Brooke Fraser. As músicas, que mais parecem orações, me conduziram a uma conversa franca com Deus. Lá estava eu, sentada de pernas cruzadas na minha cama, olhando para aquele céu estrelado (e estragado pela grande placa luminosa do Hotel Radicson – quem acha esse gigante bonito só pode estar drogado).
Como muitas de minhas orações, falei com Ele que não queria desperdiçar meus dias. Queria que tivesse algum sentido ir pra UFES, ver meus amigos, e que não dava para ser somente uma rotina... Eu quero fazer alguma diferença. Engraçado como uma declaração dessas pode fazer tanto efeito. Não consigo expressar o quanto me alegra saber que Deus está me ouvindo. Sabe quando você está falando com uma pessoa e você tem certeza que ela não está prestando atenção? Já faz alguns anos que encontrei alguém que me ouve sempre, mesmo quando parece que houve uma crise de surdez.
Hoje o dia foi muito bom. Eu nem precisei fazer esforços para falar da ‘pessoa’ mais importante da minha vida. Logo na primeira aula minha amiga me mandou um versículo escrito numa folha de rascunho e simplesmente pediu pra eu falar sobre o que achava. Nem gosto de escrever, né? Escrevi com um sorriso estampado no rosto. E ainda pude conversar com ela sobre várias coisas legais.
Mais tarde um outro amigo veio comentar sobre Richard Dawkins, o autor do ‘O Gene Egoísta’ e ‘Deus, um delírio’, depois que eu emprestei o livro ‘A Linguagem de Deus’ para uma outra amiga. Por mais que nossas idéias se confrontem e eu discorde dele em muitos pontos (e ele discorde de mim em outros), não sei quando mais eu teria oportunidade de falar alguma coisa do gênero pra ele. E sério mesmo, adoro quando as pessoas falam suas opiniões (contanto que falem com sabedoria e respeito).
Foi bom falar o que penso, sabe? Tenho certeza que lá na sala as pessoas me vêem, mas não sabem realmente quem sou ou o que penso. Bom, ainda assim queria ter falado mais coisas durante a conversa. Como a maior parte dos futuros biólogos da minha sala, ele tem uma visão bem racional sobre fatos relacionados à fé e à vida. Mas cara, algumas coisas que conheço não tem nada de racional. Chega a ser insano. Quando alguém conseguir explicar racionalmente como o Josiel, um outro amigo lá da sala, mudou da água pro vinho desde as últimas férias, talvez eu questione minha fé (ele me contou que no dia de Natal, ele tomou a melhor decisão da vida dele. Nunca o vi tão feliz). Quando me explicarem o que foi aquele sentimento tão diferente que me arrebatou numa noite no final do ano de 2002, dentro de uma igreja, que me fez pegar numa Bíblia pela primeira vez horas depois, talvez questione Deus. Quando me convencerem de que foram meras coincidências todas as experiências sobrenaturais que já presenciei, todas as orações atendidas, todas as vidas mudadas e tudo o que sinto, talvez eu reveja meus conceitos.
Mas a verdade é que este dia está muito distante, provavelmente nem o verei chegar. E enquanto esse dia não chega continuarei a falar daquele que ama tanto a humanidade que permitiu que pudéssemos escolher entre Ele e o resto. Uma pena que temos escolhido o resto quase todo dia. Eu já prefiro a primeira opção. Concordando com meu amigo Josiel, foi a melhor decisão que tomei na minha vida.

'When I can't hear you
I know you still hear every word I pray
And I want you
More than I want to live another day
And as I wait for you
Maybe I'm made more faithful'
Brooke Fraser - Faithful

sábado, 22 de março de 2008

Luto

Ela estava vendo na tv um filme triste de romance que falava sobre perda de memória e amor eterno. Foi quando sua mãe atendeu a uma ligação. Uma triste ligação. Seu cunhado foi responsável por dizer: "Tenho uma má notícia. Uma pessoa morreu." Na hora ela parou o filme ao ouvir o desespero na voz de sua mãe. E ficou aflita por não saber o que tinha acontecido. Sua mãe desligou e repetiu a mesma frase que seu cunhado tinha lhe falado. A menina ficou branca, se ajeitou no sofá e perguntou quem era a pessoa. Uma tia-avó. Aquela sorridente que ela tinha visto pouco mas que com certeza fazia parte de suas melhores lembranças. Aquela que sempre recebia toda família de braços abertos, que tinha uma risada gostosa e engraçada, que era uma ótima cozinheira e morava longe na roça. Aquela que piscava os olhos com força e passava uma imagem de ser a pessoa mais feliz do mundo apesar das limitações da idade.
Notícias como essa abalam qualquer pessoa. Acabou o clima de feriado. Se sentiria culpada em aproveitar os dias enquanto outros choram sua perda. Se eles choram, ela quer chorar junto. Se ele riem, ela quer rir junto. E ela se sentia triste pelos familiares mais próximos a querida Tia Teté. Irmã de sua avó. Uma querida parente. Chorou pelo fato de que foi confirmada a frase de que só damos valor às pessoas depois que as perdemos. Mas no fundo ela sabia que a amava. Das poucas vezes que tinha visto sua tia-avó. Ela a amava. E agora ela tinha partido.

Descanse em paz. Você está num lugar muito melhor que nós. Aproveite...

Odeio quando crônicas são mais reais que ficção.